Ouve-se tantas vezes: “O objectivo do ensino é a aprendizagem do aluno”. Mas será que o ensino tem sido regulado e praticado com este objetivo? Pretende-se neste artigo apontar algumas realidades do ensino português, para que se reflicta sobre elas. Estamos fartos de culpar os governos sucessivamente por tomarem medidas que não favorecem o ensino, e temos razão para isso. Mas e se o ensino começar a ser visto de forma diferente por parte de todas as pessoas envolvidas (professores, alunos, diretores)? Talvez seja uma forma de chamar à atenção do poder executivo pela qualidade.
Uma das falhas, há muito recorrentes, é a visão de um ensino centrado no professor, onde reinam as aulas expositivas e o aluno apenas absorve a informação, sem ter participação alguma na aula. Quando praticado em demasia, este ensino torna-se anacrónico, não acompanha a ‘evolução dos tempos’. Muitos autores defendem, pelo contrário, aulas onde o aluno possa participar, tomar decisões e onde o método de ensino seja adaptado a si e à sua aprendizagem. Claro que tendo um curriculum padronizado e uma pressão constante por resultados, torna-se difícil leccionar sob este modelo de literacia. Obviamente que o ideal será talvez praticar um meio-termo entre aulas expositivas e mais dinâmicas.
Num tempo onde o mercado de trabalho está saturado, urge a necessidade de encontrar uma função na sociedade que não esteja já superlotada, que nos satisfaça e ainda que nos sustente. Parecem ser muitos requisitos, assim como não parece uma tarefa nada fácil. Uma das ferramentas defendidas em estudos de pedagogia é a criatividade. Sendo criativo e original, e tendo um pensamento divergente, torna-se mais fácil chegar à motivação e a algo que façamos e que nos distinga na sociedade.
Mas estará o ensino a favorecer o pensamento criativo dos alunos? Por vezes, este não permite caminhos diferenciados e criativos, por estar standardizado; não está conectado com as necessidades actuais; não motiva os alunos. Por vezes este ensino apenas quer cumprir a sua função de transmitir informação, sem deixar que os alunos a apliquem. Por vezes este ensino não é capaz de usar ferramentas mais actuais como as tecnologias disponíveis. Por vezes é preciso deixar o aluno “pôr as mãos na massa”.
Obviamente que não se defende aqui um modelo ideal de ensino, nem sequer se diz que não há coisas boas, porque há com certeza. Apenas se aponta algumas falhas que podem vir a ser colmatadas, e nas quais os futuros professores, formadores, directores, podem ter uma acção construtiva. Em todo o caso, é importante salientar que muitos dos alunos, têm conseguido encontrar a sua “essência”, ou seja, aquela área ou actividade em que se preenchem e na qual se sentem satisfeitos profissionalmente. É tarefa da escola continuar a proporcionar meios para que estes alunos cresçam e encontrem a tal “essência” ou o tal “je ne sais quois”.