Educação para educados

 

Coisas boas são apenas coisas más. Explico:

Hoje eu não deveria ter bebido leite, nem lavado os dentes com flúor, nem ter usado açúcar, nem ter ouvido música a 440hz (esta é genial). E devia apenas alimentar-me de bagas de goji, até que algum amigo partilhasse no facebook um artigo que me dissesse que estas também fazem mal, artigo este baseado noutro artigo, que se baseava numa fonte que citava outra fonte que estava implícita num artigo publicado por um instituto qualquer, sem qualquer reputação, mas que deve ser bom porque tem “Royal” no nome. Eu não devia ter feito nada disso e fiz, por isso é que senti umas dores de cabeça. Descobri na Internet que tenho várias doenças incuráveis, horríveis. Culpa, talvez, do facto de ter deixado de ir à igreja. Dizem que deus castiga. Agora resta-me evitar as transfusões de sangue, as quimioterapias, os transplantes de órgãos, bem como mudar os meus hábitos alimentares para definitivamente NUNCA mais comer… hum… o que quer que digam na Internet que não devo comer. Ainda assim dizem que vou para o inferno.

A ignorância. A crença cega. Desde à encomenda do novo aspirador que aparece na TV, até à aceitação dos filmes americanos pseudo-patrióticos, até à lavagem cerebral feita pelo governo francês… Todos têm a sua lavadora a funcionar. Eu olho para trás mas também devo ter a minha própria máquina de lavar, trabalhando 24 horas por dia para me fazer crer em algo.

Este não é um artigo sobre música, mas é um artigo sobre o ensino. Porque o ensino agora tem de ter um propósito mais limpo e digno: combater a ignorância. Abrir os olhos. Esquecer a qualificação (ui, será que o governo francês me vai espiar por defender isto?), evitar a TV e restantes entretenimentos ridículos (já devo ter uma escuta por esta altura), ganhar prazer em fazer bem a nós próprios (será que ainda consigo passar na fronteira?)… O grande desafio do futuro não vai ser termos mais mestres ou doutores, mas sim termos mais e mais gente capaz de escapar à lavagem.

A solução é mesmo essa, educação. A tal educação.

O que acontece hoje em dia é que educação parece ser só uma maneira eficiente de fazer desaparecer metade das pessoas de um país entre as 8.30h e as 18.30h. É muito prático, assim elas não incomodam, não fazem perguntas, não brincam, não conversam com ninguém… Estão ali num cantinho. Elas até já saem seriadas consoante a “média final”, assim é mais fácil arrumá-las no futuro.

Há que mudar isto. E há ideias. E estão a ser postas em prática com bons resultados, mas como as médias não são “médias de 20″… Muita gente não acredita nelas. O problema é realmente fazer compreender essas pessoas de que a “média” significa exactamente isto, em termos práticos: nada.

Mudar o ensino é mudar as pessoas. Todas as pessoas.

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